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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

DOUTRINA CRISTÃ EM FOCO (Eclesiologia)

Eclesiologia
Material copilado por
Comendador e Pastor Pedro Alves
Um estudo preliminar das doutrinas centrais referentes à temática da igreja como resposta ao contexto evangélico e os tratamentos sistemáticos existentes no mercado evangélico brasileiro. Material preparado para uso em aula de teologia sistemática com alunos.

                         Eclesiologia

O Reinar de Deus na Terra
Panorama do Estudo:
Neste texto, procurar-se-á oferecer ao aluno uma introdução à eclesiologia, estudo teológico referente à igreja. Será dado enfoque aos assuntos da natureza e propósito da igreja e seu relacionamento com o reinar de Deus, bem como algum material de apoio ao crescimento da mesma. Este estudo é apenas um levantamento inicial, pois para cada subponto a ser levantado há muito mais para se dizer e analisar. Nem todo aspecto necessário ao estudo será abordado nesta apostila por questão de brevidade. Por esta razão, o apoio de leituras paralelas e uma ênfase no diálogo com práticas normativas na procura de uma metodologia e compreensão eclesiástica em conformidade com os parâmetros bíblicos será indispensável. Lembra-se ao aluno que o texto essencial para ser estudado é a própria Bíblia, os livros textos sugeridos servirão de apoio na sistematização do assunto.
Como também para todo esforço teológico, é essencial que cada indivíduo invista para aplicar a teologia à sua realidade específica. Não basta ter as respostas de outras épocas concernentes às dúvidas e inquietações de outros contextos. Importa saber aplicar o conhecimento teológico para dar resposta apropriada aos assuntos do dia a dia e da vivência do indivíduo em sua sociedade. Tratando-se do assunto de eclesiologia, a ênfase na aplicação é até maior do que em outras áreas da pesquisa teológica, pois trata-se de formas estruturais. Estas formas têm muito a ver com contextos históricos específicos, incluindo estruturas e questionamentos institucionais que têm variado muito ao longo dos séculos.
Em cada etapa da história e desenvolvimento da igreja, têm surgido necessidades de modificações organizacionais específicas para facilitar que a igreja cumprisse com o seu propósito. O livro do Rick Warren (Igreja com Propósitos) tem muito a ver com essa noção em termos de fixar a atenção da igreja local no papel que ela tem a cumprir. Essa perspectiva de olhar o propósito estabelecido para a igreja deve reger também o estudo teológico da eclesiologia. Assim, tratando da missão ou propósito e a natureza da igreja, fornecemos uma base para investigações referentes aos métodos e estruturas para facilitar que a igreja cumpra com a sua missão designada.
Este, portanto, será o alvo do estudo presente: descobrir a definição bíblica referente à natureza e missão da igreja, para que se possa estudar com mais atenção as formas e os métodos a serem empregados no cumprimento da tarefa. Uma vez que a definição de natureza e missão forem delineadas, podem-se medir questões organizacionais e metodológicas em consideração ao alvo a ser atingido.
Livros Textos:
Apresentar-se-á neste trabalho um resumo parcial dos conteúdos elaborados pelos autores referidos, como também uma crítica ou complemento a certas posições tomadas e levantadas. Cabe ao leitor analisar as propostas fornecidas e elaborar as suas próprias conclusões para adequar a sua prática e compreensão ao testemunho bíblico. Diálogos com perspectivas e propostas diversas ajudarão o leitor a ter uma compreensão melhor da natureza e do papel da igreja. Assim terá mais facilidade para aplicar os ensinos bíblicos às realidades de suas próprias comunidades de fé—o povo de Deus reunido para cumprir a sua missão. Indica-se os seguintes livros para um acompanhamento do estudo aqui elaborado:
Introdução Geral:
É necessário antes de começar o estudo específico da eclesiologia primeiramente tratar algo da problemática associada à disciplina. Com esse pano de fundo pode-se melhor tratar a matéria a ser estudada. Toda teologia é elaborada sobre alguma base pré-estabelecida. Clarificando esta base sabe-se melhor como avaliar ou analisar as conclusões formuladas nas etapas finais do estudo.
Problemas em tratar Eclesiologia:
Definição do Termo: Do grego vem o termo igreja que se usa em vários contextos e com vários sentidos no português. O termo pode vir a designar uma congregação local, uma denominação, uma causa, a igreja de caráter universal ou “invisível” ou até um prédio onde se reúne um grupo de adoradores. Em cada contexto deve-se assegurar qual o uso que se faz do termo. Usaremos aqui como definição prática de igreja, “um agrupamento de crentes que vivenciam um relacionamento de dependência (fé) em Jesus Cristo, unindo-se para cumprirem a missão entregue por Deus”.
Institucionalismo: Na Bíblia, a igreja não é uma instituição, mas um organismo vivo que se vai transformando em termos organizacionais. De certa forma a igreja é, conforme implicação de Romanos 9.25 e 1a Pedro 2.9-10, o povo de Deus em desenvolvimento. Logo, ao tratar da igreja, é necessário tratar de dois aspectos da mesma: o organismo e a estrutura organizacional que se vem desenvolvendo naturalmente. Esta é necessária, mesmo que não deva ser vista como o aspecto principal.
Origem Bíblica do Termo para Igreja: O texto bíblico no português usa o termo igreja, mas as conotações originais do termo muitas vezes estão perdidas na tradução. O conceito básico do termo hebraico qahal (l h q ) e também do grego ekklesia (ejkklhsiva ) é de uma assembléia, tratados por muitos no sentido de “comunidade”. Geralmente se pensa em termos de haver uma convocação de caráter político, sendo uma reunião do povo para decidir ou ouvir decisões de importância geral para o mesmo. Não existe no Antigo Testamento o que propriamente se chamaria de igreja, já que o conceito é do povo como um todo pertencendo a YHWH (hwhy) como nação. Nesse contexto, emprega-se o termo hebraico ‘edhah (hd;[e ), que designa o povo de Deus, seja reunido ou não. Na época do exílio, o termo qahal (lh;q ); vem a ser empregado com esse mesmo uso também, mas nunca como uma instituição1. No caso do Novo Testamento, quando se trata da igreja em sentido universal ou mesmo local o termo usado é normalmente algo como “santos” ou “eleitos”, em lugar de “igreja” (ekklesía), aproveitando também expressões como “noiva” ou “povo de Deus” especialmente ao tratar da igreja em sentido universal. Portanto, é necessário ter cuidado ao procurar sistematizar ensino bíblico a partir de um estudo do emprego do termo bíblico “igreja”, já que o conceito igreja é comumente tratado com outros vocábulos e o uso que se faz do termo igreja nem sempre é o que se espera a partir do português.
Linguagem Figurada: A Bíblia está repleta de figuras para ajudar o leitor a compreender conceitos espirituais. A exemplo deste fato, João capítulo 3 registra o diálogo entre Jesus e Nicodemos, o qual não compreendia as palavras de Jesus. Este explicou-lhe o conceito de três formas diferentes para que pudesse compreender uma verdade espiritual que fugia de sua experiência. Tratou de ser necessário nascer de novo, especificou uma distinção entre a existência física e espiritual e logo tratou um exemplo de confiança em Deus como a única saída para a vida.
Assim também o ensino bíblico referente à eclesiologia é expresso na Bíbila utilizando várias figuras que ajudam a transmitir o ensino, mas que não devem ser forçadas a obedecer uma interpretação de caráter rígido, por questão dos limites da linguagem figurada. Quando Jesus aproveita o termo “reino”, obviamente não pretende tratar do exercício teocrático de uma estrutura governamental sobre a terra. Quando o texto bíblico trata dos portões do inferno não prevalecerem contra a ofensiva da igreja, também não se deve preocupar em definir um local geográfico com muros e portões em volta do inferno. São figuras que servem para ilustrar o conceito específicado, não descrições de caráter literal. Em qualquer estudo bíblico, e portanto teológico, deve-se respeitar estas formas de expressão, não forçando cada palavra a exprimir somente um sentido descritivo literal.
Formas e Propósitos: Em certos casos do estudo da disciplina, encontrar-se-á certas formas de organização ou estrutura na Bíblia que divergem da prática comum atual. Deve-se fazer em tais casos uma avaliação do propósito da forma, estrutura, cargo ou atividade descrita. Tal propósito pode estar sendo desenvolvido com outra metodologia, estrutura ou forma na igreja atual, sem que haja qualquer incompatibilidade com o ensino biblico. Em tais casos, não há necessidade de alterar a prática atual, desde que esta esteja cumprindo com o seu propósito devido, sempre em conformidade com o encaminhamento bíblico. Em alguns casos, pode ser que os cargos e formas organizacionais usem de estratégias bem parecidas à forma original. Deve-se novamente olhar para a questão do propósito a cumprir. Uma forma ou estrutura pode capturar a essência de seu propósito como também pode ser um desvio do mesmo. Deve-se procurar definir a razão da prática para averiguar se a continuidade é o mais devido, pois é sempre possível que até uma estrutura aparentemente igual à do Novo Testamento perca sua eficácia se apenas for reassentada no contexto atual. Em outros casos uma estrutura pode não ser prejudicial em si, mas pode tampouco estar contribuindo para o crescimento do reino de Deus. Se assim for, deve-se analisar bem para acertar que a estrutura tem um propósito a cumprir e que este seja coerente com a missão da igreja, não sendo um desvio de energias, mesmo que gostoso.
Conceitos Especiais na Eclesiologia:
No estudo de eclesiologia deve ser visto em especiais certos conceitos específicos. Talvez o conceito mais importante a ser estudado é o conceito do “Reino de Deus”. Este conceito é também essencial ao estudo da escatologia, mas será primeiramente tratado aqui, devido a sua aplicação em termos da vida da igreja como o povo de Deus. Em decorrência do tratamento aqui se aplicará depois no contexto escatológico.
O Reinar de Deus”:
A igreja autêntica existe como a concretização do reinar de Deus e não pode existir desvinculação deste reino. É na vida da igreja—o povo de Deus—que o reinar de Cristo tem forma e exercício. O conceito do Reinar de Deus é a categoria principal no estudo da escatologia2, porém é na igreja que este reino tem o seu começo e a sua concretização primária. “No Novo Testamento, o reino de Deus é principalmente o seu reinar nas vidas daqueles que se submetem à sua autoridade”3. Logo o termo “reino de Deus” pode ser definido como o Seu “governo em ação4, ou o “reinar de Deus”4.
Segundo as declarações de Jesus, o Seu reinar já é “uma realidade na história humana”5. Deus já reina entre o povo, mesmo que não de forma política ou teocrática no sentido ideal da aliança sináptica. O povo de Israel dava muita ênfase à questão de viverem diretamente sob o reinado de YHWH, mas pode-se ver que esta realidade nunca teve uma concretização plena. Quando as multidões queriam fazer de Jesus o seu rei, Ele não aceitou tal proposta por ser um desvio completo do propósito maior do seu ministério6. Perante Pilatos, negou de novo que seu reino fosse como os reinos deste mundo7. O seu reinar era uma questão do interior, não da relação nacional externa8. João, o Batista, chamou o povo judeu a se tornarem filhos de Abraão e não confiarem em sua herança nacional9, mas Jesus leva o conceito mais adiante, rejeitando a ideia da identificação do Messias com um rei de força política10, enfatizando a aceitabilidade dos rejeitados pela sociedade11 e a transformação interior do indivíduo12.
De modo igual, a igreja deve espelhar o compromisso interno de cada indivíduo para aceitar a sua participação e integração no povo de Deus. Este compromisso é uma questão da aplicação do reino na vida do indivíduo. A igreja é por consequência o agrupamento ou reunião dos membros ou cidadãos do reino. A igreja não é o reino, mas ela é criatura ou veículo para a extensão do reinar de Deus. O reinar de Deus na vida humana cria a comunidade pertencente ao reino, a qual chamamos de igreja.
A fé bíblica não é institucional13, porém é indiscutivelmente comunitária14 enquanto individual15, e é nesse contexto que o reinar de Deus existe no mundo. O reino começa na vida do indivíduo, mas é levado adiante no contexto comunitário do reinar de Deus. “A relação entre a igreja e Cristo é de fato muito íntima; trata-se de uma espécie de união orgânica, pela qual nos unimos a ele em nossa vida e nosso ser”16. Pode-se falar desta união em termos individuais, mas a Bíblia também trata da união seriamente em termos do corpo inteiro da ekklesia de Deus.
O Reinar não é apenas uma realidade que se aproxima no contexto do ministério terreno de Jesus, mas é também algo que é concretizado17. É um tanto impreciso marcar a data da inauguração do reino, mas pode-se entender a inauguração no evento de pentecostes—a festa dos primeiros frutos. É de interesse notar que Lucas nunca aplica o termo ekklesia no seu evangelho, mas emprega o termo em Atos. É na descrição do evento de pentecostes que Lucas aparentemente vê inaugurado o reino, agora empregando o vocábulo ekklesia em relação àqueles que aceitam o reinar de Deus em suas vidas através de Cristo. Aqui, o reinar de Deus tem uma ferramenta ou vivência concreta na igreja que surge. Esta igreja é ferramenta do reino para levar a mensagem do reinar de Deus perante todas as nações em conformidade com Atos 1.8.
O chamado “reinar de Deus” e o “reinar dos céus” são precisamente a mesma coisa. “‘Céu’, no primeiro século, era um sinônimo comum de ‘Deus’ entre os judeus piedosos, que consideravam o nome de Deus demasiado santo para ser pronunciado”18. Compreendiam que Levítico 24.16 impedia a pronúncia do nome de Deus, tal para evitar cair em juízo19. Os termos para céu no hebraico e grego, “ m y m c e oujranovs são usados basicamente de três maneiras na Bíblia”: referindo-se à estrutura do universo; como sinônimo de Deus e como a morada de Deus20. Olhando para Lucas 15.18, podese ver claramente que esta referência é feita especificamente a Deus, não à expansão estrutural acima das núvens, pois o filho havia pecado contra os próprios mandamentos de Deus.
É comum haver certa confusão referente ao Reinar, especialmente em termos de seu tempo. Nos evangelhos, o reinar de Deus é tratado simultaneamente em tempo presente e futuro, mesmo que em sua maior parte seja tachado em termos de uma expectativa futura:
[Mateus 12.28 e Lucas 11.20] aparentemente indicam que o reino não apenas está perto, mas que há realmente chegado. … O reino está perto no sentido de que não há sido consumado; está presente no sentido de que o poder de Deus que o caracteriza havia começado a manifestar-se nas palavras e ações de Jesus e continua a fazer o mesmo na igreja21.
Quando a Bíblia trata de épocas após o ministério de Jesus, visa menos futuricidade do que quando referencia o reino em época do seu ministério. Ao mesmo tempo, permanece a expectativa de um complemento à realidade do reino já experimentada nas vidas dos crentes. Tal expectativa, porém, encontra a sua expressão na base daquilo que Jesus já havia realizado.
A confissão cristã não é apenas de que Cristo virá ao final da história, mas que Cristo já veio; não apenas que a salvação espera o crente no futuro escatológico, mas que a salvação já é experimentada, numa forma antecipatória, porém real, no aqui e no presente, no meio de problemas e não apenas ao seu fim. … O presente é moldado não apenas pelo passado, mas também pelo futuro de Deus”22.
Jesus pregava muito referente ao reinar de Deus. Em conseqüência, esse reinar é uma temática especial dos evangelhos sinópticos, porém principalmente do livro de Mateus, onde encontra-se a terceira parte das referências neotestamentárias ao Reinar de Deus/dos céus23. Os discípulos continuaram a temática do reinar divino, como vemos na preservação sinóptica do ensino. Para Jesus, a temática era urgente. Ele queria preparar os discípulos para esta vida. “O reino estava vindo, e o único aspecto especialmente ressaltado foi o arrependimento…. Em comparação com o reino [de Deus], nada realmente tem valor”24.
A ênfase de Jesus sobre o reinar visava a clarificar e oferecer resposta a dois erros essenciais—a preocupação em termos judiciais com o mundo por vir que se desvinculava da interiorização dos princípios do reinar de Deus e a expectativa messiânica politizada dos judeus da época. A ênfase de Jesus não recai sobre rituais de ingresso ao reinar, mas no viver esta qualidade de vida expressa na frase “vida das eternidades”. O elemento essencial desta vida é a sua declarada dependência de Deus para suprir todas as necessidades daquele que se entrega a serviço do reino. O ingresso no reinar era muito importante no seu ensino, mas em sentido de alerta para que o indivíduo verificasse que ingressaria no reinar. O judeu que procurava pela politização do reinar de Deus não encontrava consolo nas palavras de Jesus, pois as características do viver sob o reinar de Deus eram contrárias às expectativas de libertação política e da dominância dos opressores. Viver esta condição de vida entregue a Deus é a salvação que Jesus oferece. O reinar de Deus já começou, mas não acaba neste lado do túmulo. A salvação não é apenas futura—ela oferece o meio de viver no presente sob o senhorio divino, já desfrutando de comunhão íntima com Deus. A vida das eternidades já começou a ser vista e vivenciada na vida do povo que ingressa neste reinar de Deus. No outro lado da morte é apenas mais vívida e direta.
Em outras partes do Novo Testamento, o ensino direto sobre o reinar não vem a ser tão notório, mas é o ensino referente à vida no reino que gera a moral e a ética na prática da vida cristã tão visível nas epístolas paulinas e joaninas, bem como a carta de Tiago25. Em Apocalipse, encontra-se uma mensagem referente ao reino semi-invisível de Cristo, colocado como sendo a realidade maior do que o reino visível do governo imperial. A mensagem do Apocalipse é um chamado para respeitar o reinar de Cristo com toda sinceridade, mesmo que não se possa enxergar o Seu reino tão claramente.
Deve-se ter sempre presente que o ensino de Jesus referente ao reinar de Deus vinha responder as preocupações messiânicas judaicas referente a um reino político terrestre. O anelo dos discípulos registrados em Atos 1.6 é o clamor do judeu que esperava a independência da nação da opressão política romana: “Senhor, é neste o tempo que restauras o reinar a Israel?” Mesmo depois da ressurreição era difícil para que compreendessem o caráter desse reinar do qual Jesus tanto falara. Jesus havia dito a Pilatos que o seu reinar não era deste mundo, mas era uma mensagem difícil para os discípulos compreenderem.
Criticar os discípulos é fácil, pois já vivenciamos que não houve a inauguração de um país teocrático com Jesus atuando políticamente. Mesmo assim, é difícil compreendermos o reinar de Deus, pois insistimos em designar o reinar em termos da história política humana. O reinar que Jesus pregou é de caráter interior, uma vida entregue aos cuidados de Deus. Ingressa-se no reinar divino ao aceitar o pacto ou aliança oferecido por Jesus. As exigências desse reinar são contrárias aos valores da sociedade à nossa volta, pois são valores espirituais e relacionais, não materias e físicos.
O reinar de Deus depende de uma entrega relacional a Deus como Pai amoroso. Depende de uma obediência e disposição de desprender-se do ego, procurando dar primeira importância aos demais, mantendo-se em último lugar. É um relacionamento de confiança e desprendimento, um desprendimento que concede a oportunidade para servir ao próximo em amor e sinceridade.
O discípulo fiel pode servir e doar-se ao próximo, pois a sua vida não pertence a si, pertence a Deus. Este pode perdoar a ofensa feita a si, pois não defende privilégios e direitos pessoais. Pode doar a sua capa, caminhar mais uma milha, oferecer a outra face, e até amontoar brasas vivas para ajudar o inimigo preparar o seu fogo, pois nada lhe pertence. O cidadão que tem Jesus como seu Rei pode dispor sua vida a serviço do próximo, pois não é nada mais do que mordomo das bênção de Deus. Como o reinar de Cristo não pertence a este mundo, também o cidadão do reinar de Cristo aceita pertencer a outro mundo e outro padrão de vida e valores.
O reinar de Deus é interno e difícil de definir, pois é como a real adoração de Elias, um de sete mil que não haviam dobrado os seus joelhos a Baal, mesmo quando a nação se tornara idólatra. O rei de Israel não seguia em retidão, mas YHWH (h w h y ) ainda reinava na vida de alguns. Dois reinados existiam em Israel, mas apenas alguns disfrutavam da realidade do reinar de Deus. É essa qualidade de reinar que Jesus inaugurou. Não o externo, mas a entrega interna para seguir a Deus em fidelidade, confiança e dependência.
O reinar de Deus já foi inaugurado. Já é hora de optar pela cidadania celestial. É uma cidadania a ser prestigiada e vivida já e para todo sempre.
Ig Ass tabernáculo de Davi
Pastor Pedro Alves

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