“Missão”:
Se o reinar de Deus é importante para o estudo da eclesiologia, a
“missão” é essencial para a aplicação do reino. O reinar de
Deus implica em deixar que Deus cumpra a Sua missão entre aqueles
que pertencem ao reino. É a aceitação das responsabilidades da
missão que introduzem o indivíduo ao reinar de Deus. Existe um
duplo enfoque da missão em seu relacionamento com o reinar de Deus:
a missão tem aspecto interior—a aplicação pessoal do ensino e da
vida do reinar de Deus; e o seu aspecto exterior—o levar a mensagem
do reinar de Deus aos demais.
O aspecto interior da missão da igreja visa a preparar os
integrantes para a sua missão externa. Esta preparação é ativa,
como se pode ver no modelo de Jesus, enviando os seus discípulos em
mais de uma instância para cumprir com exigências da missão
exterior. Vale lembrar que os discípulos eram indivíduos menos do
que qualificados, especialmente ao ver que, mesmo depois da
crucificação de Jesus, relutavam em aceitar que era necessário que
Jesus morresse. Em pleno processo de discipulado, porém, mesmo com
todas as suas falhas, Jesus os enviou mais de uma vez para levar
adiante a sua mensagem do reinar de Deus. Mesmo o gadareno
endemonhinhado é enviado para pregar em toda a região de Decápolis
(uma região de dez cidades) sem capacitação especial1.
Olhando para o lado exterior da missão da igreja, Moody coloca que a
missão pode ser resumida em três aspectos especiais: “como
martyria (testemunho), diakonia (serviço) e koinonia
(comunhão)”2.
São estas as tarefas que servem de base para compreender e cumprir
a missão da igreja.
Deve-se lembrar de fazer distinção entre os termos “missão” e
“missões”. Por “missão”, trata-se da raison d’etre
da igreja, seu propósito no mundo. Missão é um termo de
importância suprema para a eclesiologia. Como fora observado, “não
é a igreja que tem uma missão, mas é o inverso: a missão de
Cristo criou a igreja. Não é a missão da igreja que se deve
entender, mas o inverso”3.
Mais do que deixar uma igreja, Jesus deixou uma tarefa a ser
cumprida por seus discípulos. Esta missão gera estruturas para que
ela possa ser levada adiante. Sem missão, a igreja não existe.
A missão é o propósito de efetivar o reinar de Deus dentro dos
parâmetros da história. Mesmo que o conceito de “missões”
esteja ligado intimamente à missão da igreja, o conceito é
distinto. Missões tem a ver com os meios usados para levar adiante
a missão externa da igreja entre todos os povos. A missão da
igreja inclui também aspectos do amadurecimento e discipulado do
individuo e da igreja local como um corpo. Mesmo que a tarefa
missionária seja de “discipular as nações”, o conceito
“missões” reflete sempre a questão do envio de obreiros. A
missão da igreja, por outro lado, é mais global já que inclui a
obra missionária como um aspecto do propósito eclesiástico. A
missão não requer por si a questão do envio, mas do cumprir com o
propósito de discipular.
Voltando à colocação de Moody dos três aspectos da missão, a
questão do testemunho rege o enfoque central da aplicação. “O
testemunho é a missão central da igreja em todas as situações”4.
Este testemunho inclui o testemunho referente à pessoa e obra de
Cristo, como também os demais aspectos da aplicação da mensagem de
Cristo no âmbito completo do Seu ministério. Este testemunho é
logo aplicado em parte através do serviço cristão como também no
contexto da comunhão cristã. O enfoque triplo da missão é
unificado em torno do primeiro aspecto de oferecer testemunho a
Cristo, incluindo nesta definição todo o processo de discipular o
ouvinte.
A missão da igreja deve ser estudada a sério, pois é o
direcionador para cada aspecto da vida eclesiástica. As palavras de
Jesus registradas em Mateus 28 e Atos 1 requerem que a igreja cumpra
com a tarefa de discipular. Esta é a missão: ser testemunha de
Cristo, discipulando todas as nações. O papel de testemunha no
contexto de Atos 1.8 tem a mesma força do conceito de fazer
discípulos em Mateus 28. De fato, são dois relatos das mesmas
palavras de Jesus, numa mesma ocasião. O testemunho e discipulado
especificados abrangem todo o ensino de Jesus em toda expansão
étnica e geográfica. A missão da igreja deve reger todo o
esforço, direcionando toda a atividade e estrutura para que ajude a
cumprir com o propósito da igreja.
Natureza da Igreja:
“Onde, então, está a
`verdadeira’ igreja entre a diversidade de tantas igrejas? A
igreja é uma, pois Cristo é um. Aqueles que são unidos a Cristo
são unidos à Sua igreja e um ao outro. A igreja é diversa porque
nenhuma comunidade de fé ou comunhão de crença, nenhuma
congregação ou denominação pode cumprir todo o evangelho tudo de
uma só vez5.
Há uma certa tensão a ser mantida aqui entre a igreja em sentido
local e universal, pois a igreja local é a expressão corpórea da
igreja única em uma localidade específica. É a expressão da
igreja única onde quer que ela seja encontrada32.
A igreja local é expressão do todo—a igreja universal—e ao
mesmo tempo uma expressão parcial.
Diversas formas da igreja
existem, não porque o evangelho é relativo ou ‘aguado’ para
atingir cada possível circunstância, mas porque o evangelho é
relevante, respondendo às divergentes necessidades de pessoas,
culturas, e sociedades.... O que é a igreja? Em síntese, é uma
comunidade histórica que começa com Deus e é fundada em Cristo
Jesus. É testemunha ao Seu evangelho em seu culto e fé, trabalho e
memória. Através do seu testemunho em palavra e serviço ela
aponta não a si mas para Cristo.... A igreja está continuamente em
processo. É uma noiva sendo preparada para Cristo (2a Coríntios
11.2); é uma comunidade de peregrinos, escolhidos, mas ainda não
completos, sempre seguindo em direção à promessa do reino de
Deus.... Fazer a pergunta ‘O que é a igreja?’ ... é procurar
‘pela cidade que tem cimentos, cujo construtor e criador é Deus’
(Heb. 11.10)”6.
Ao tratar das definições do termo igreja algo foi dito já em
relação à natureza da igreja. Nesta obra trata-se em geral a
igreja em sentido universal, usando a congregação local para
enfoque de sua aplicação e concretização. A igreja é um
organismo vivo, a acoplação dos santos, o povo de Deus na face da
terra. Nem todo membro da igreja local faz parte, e nem todo aquele
que não faz parte de uma igreja local visível está fora da igreja.
Como definição geral, aqui se aplicará ao termo o seguinte
conceito: "um agrupamento de crentes que vivenciam um
relacionamento de dependência (fé) em Jesus Cristo, unindo-se para
cumprirem a missão entregue por Deus".
A igreja é muito mais do que uma congregação local e é muito mais
do que uma estrutura e instituição. Usa-se o retrato da igreja
local como auxílio na visualização concreta do conceito, porém
lembra-se a necessidade de olhar além dos aspectos institucionais,
formais e estruturais. Toda a estrutura e organização elaborada
pode ser benéfica, mas deve sempre ser associada ao propósito da
igreja, missão que parte de sua verdadeira natureza. A Bíblia não
estabelece um sistema organizacional para a igreja, nem contraria a
sua elaboração. O que ela oferece é uma missão a ser cumprida.
É esta missão que deveria unir a igreja mais do que qualquer outro
elemento individual. É por tal motivo, por exemplo, que as igrejas
batistas desde sua origem começaram a se relacionar em associações
e logo em convenções. Queriam estar unidos para melhor cooperarem
no desenvolvimento das tarefas que a igreja local tinha dificuldade
em cumprir sem apoio externo. É também nesse interesse que surge a
necessidade de cooperação entre denominações para cumprirem em
conjunto com certos aspectos da missão da igreja.
O ideal de união para a igreja nunca chegará a completa satisfação
na terra, em função de posições teológicas diferenciadas entre
grupos componentes da Igreja. Estas diferenças surgem de início em
decorrência da incapacidade humana de plena compreensão da Bíblia
em sua íntegra e da debildade humana em compreender plenamente a
vontade do Deus infinito, revelado em Cristo Jesus. As palavras de
Jesus atingem não apenas os dois discípulos no caminho a Emaús,
mas igualmente a todos os seus discípulos em todo tempo: “Ó
néscios e tardos de coração para crerd tudo que os profetas
disseram!”7.
Apressando para atingir o alvo de união, cabe à igreja local e aos
indivíduos que a compõem definir até que ponto pode haver sua
cooperação e envolvimento com outros de perspectivas divergentes8.
Dentro da igreja local, há algo da mesma necessidade, porém
espera-se que os indivíduos de uma congregação poderiam mais
facilmente cooperar entre si. A união esperada não é que todos
sejam igualmente amigos íntimos, mas que todos tenham respeito cada
um pelo outro e procurem atuar entre si em amor. Nestes parâmetros,
é possível viver em harmonia e união para em conjunto cumprirem
com a missão da igreja.
A união da igreja deve também ser vista no contexto do sacerdócio
de todos os crentes. Como Lutero afirmava, não cabe distinção
entre clero e leigo9.
Todo membro da igreja deve ser ensinado que tem uma responsabilidade
sacerdotal em relação aos demais. Tal responsabilidade compreende
o seu ministrar mesmo enquanto recebe a ministração de outros.
Cada um deve interceder pelo outro e ensinar ao outro, até
corrigindo quando for necessário. Não há razão convincente para
limitar certas funções eclesiásticas a um clero oficial. A razão
pela consagração de pastores deveria ser principalmente um ato de
confirmação de confiança na vocação do ministro10.
Em nada deve ser visto em termos de um exercício com exclusividade
de práticas ministeriais. A missão da igreja é de todos. A
igreja pode convocar indivíduos para funções especiais, mas tal
convocação não elimina a responsabilidade dos demais membros.
Serve como “forma pública pela qual alguém é comissionado
mediante a oração, as Escrituras e a imposição de mãos, a fim de
servir à congregação”11.
Interessante é notar que no Novo Testamento são diáconos e
missionários que são “comissionados”, “consagrados”, ou
“ordenados”, não sacerdotes ou pastores.
Algo da natureza da igreja é espelhado nas seguintes figuras: povo
de Deus, corpo de Cristo, noiva de Cristo, esposa de Deus, templo do
Espírito do Santo, santos, povo eleito, filhos de Deus, ramos da
videira, galhos da oliva, lavoura, horta, edifício, sacerdócio,
nação santa, luzeiro, coluna e baluarte da verdade, lavradores da
vinha, integrantes do reino de Deus e amigos de Jesus. Estas
descrições e metáforas são usadas de formas diferentes,
espelhando certos aspectos da natureza, do ideal, ou da dura
realidade no quotidiano da igreja.
Uma das primeiras descrições ou metáforas aplicadas à igreja é a
de povo de Deus. Com o uso desta frase, a perspectiva é de
focalizar no relacionamento de dependência de Deus dentro dos
limites da aliança estabelecida. Êxodo 19 assenta os elementos
essenciais desta aliança e da designação de ser povo peculiar a
YHWH (hwhy).
Nestes mesmos termos encerra-se também as figuras de sacerdócio
real, nação santa, povo adquirido, povo eleito e em parte
referências à participação no reino de Deus.
No Antigo Testamento, o conceito de igreja é traçado em termos da
nação como um todo ou de um remanescente, porém há modificações
de tal idéia no Novo Testamento, partindo do desenvolvimento das
referências a um remanescente fiel. É na base do conceito de
Israel como o povo de Deus que o Novo Testamento desenvolve o seu
ensino do povo de Deus em Cristo.
O Antigo Testamento utiliza muito a imagem da esposa, muitas vezes
encerrado nos termos de prostituição. Vez por outra, a mensagem
referida tem sentido duplo, já que o culto aos deuses dos povos ao
redor de Israel era comumente associado a orgias e à utilização de
prostituição nos próprios templos e altares pagãos. Quando o
texto fala de prostituir-se com outros deuses, trata diretamente de
questões de prostituição e lascívia sexual, mas o enfoque
principal é a infidelidade de Israel a YHWH, sob a figura da
relação matrimonial sendo violada pela esposa. O ideal da natureza
da igreja é, no entanto, referido aqui no sentido de pureza
relacional e fidelidade perante Deus. É este aspecto da natureza da
igreja que normalmente vem sendo apontado na utilização dos termos
esposa, noiva e também Templo12.
Outra agrupação de termos reflete a missão a ser desempenhada pela
igreja. Estas designações como corpo e membros de Cristo, refletem
a igreja como a presença visível e ativa de Deus na terra. A
missão de estender o ministério de Cristo espelha-se nos termos
como ramos da parreira, galhos da oliva, lavradores da vinha, coluna
e baluarte da verdade, luzeiro e sacerdócio real. Há também
expressões parecidas sacadas da agricultura como lavoura, vinha e
horta, mas estes termos refletem mais a obra de Cristo nos
integrantes da igreja, em conjunto com termos no sentido de edifício,
construção e seu vínculo com colocações da obra de Cristo na
igreja. Este agrupação de termos reflete a natureza da igreja pelo
seu aspecto do processo de desenvolvimento, chegando a cumprir com o
propósito de Deus.
Tratando-se da questão de continuidade entre Israel e a igreja,
deve-se lembrar da parábola de Jesus lançada aos fariseus, na qual
ele os trata como lavradores maus, cuja posição e responsabilidade
lhes são tomadas para serem entregues a outros13.
Aqui é interessante notar que os fariseus compreenderam a mensagem
de que o reino lhes seria tirado, mesmo se não aceitassem a palavra.
Além desta passagem, lembra-se também as colocações no livro de
Isaias referentes à missão de trazer todos os povos a cultuarem a
YHWH14.
Lembra-se que a Bíblia deixa abertura para que Israel se volte a
Deus e novamente encontre o seu lugar dentro dos propósitos de Deus.
Esta reintegração, no entanto, dependeria do arrependimento do
povo.
A mensagem missionária referida por Jesus já havia sido expressa na
aliança sinaítica, a qual, por sua vez, tem fundamento no propósito
de Deus, registrado a partir de Gênesis 315,
para reconciliar consigo mesmo os seres humanos alienados em pecado16.
Tal ensino é mais claro nos profetas como Isaías. Na aliança
sinaítica, a proposta missionária era integral à identificação
do povo como povo de YHWH. Esta condição foi quebrada por
Israel inúmeras vezes. A única ressalva para o povo continuar sob
a aliança era a misericórdia de Deus, pois eles já haviam rompido
a aliança desde o deserto, mesmo antes de entrar na terra prometida.
A aliança entre o povo e YHWH é de certa forma frágil, pois
dependia sempre da fidelidade do povo em obedecer ao pacto. “O
termo aliança ... significou sempre uma aliança de graça,
um acordo em que Deus tomava a iniciativa e determinava as
condições”17.
Era sempre pela graça divina que Deus iniciava a restauração da
aliança rota pelo povo. Tal conceito está em todo o Antigo
Testamento, porém é muitas vezes ignorado pela questão da
insistência divina em re-estabelecer o pacto. No entanto, não
havia nada que impedisse que YHWH desligasse o povo em
preferência a outro18,
senão por causa da promessa a Abraão. Mesmo essa promessa, porém,
não implicava no povo permanecer para sempre como povo de YHWH.
A promessa a Abraão foi de ser bênção às nações e de sua
decendência ser multiplicada. A convocação do povo no Sinai foi
estabelecida em termos condicionais. Era apenas necessário que o
povo se multiplicasse e fosse utilizado como bênção a todas as
nações, condição esta que se cumpriu em Jesus.
Grande parte da expectativa judaica referente ao Messías girava em
torno de um reino político e geográfico. Jesus, no entanto,
declarava claramente que o reino dele não era político19.
Ele pregava o reinar de Deus no interior do ser humano, enfatizando
que mesmo o jugo romano sobre Israel do seu dia não era tema de
interesse20.
Jesus não tinha interesse político, nem em sentido pessoal de
reinar, nem em libertar Israel da opressão romana. Por outro lado,
ensinou em vários contextos da necessidade do povo ser fiel em
servir a Deus de forma comprometida. O reinar de Deus por sua
mensagem era algo interior, não uma questão nacional, institucional
ou de outra forma externa ao indivíduo. Sua pregação era com
respeito ao compromisso interior com Deus. Logo, questões de Israel
como um povo soberano são considerações ignoradas por Jesus por
não terem importância.
É comum tratar a adoração como parte do propósito ou missão da
igreja. Existe um problema nessa designação, resultando de uma
compreensão falha do termo adoração. O conceito original de
adoração é muito mais amplo no aspecto da forma, do que na maneira
pela qual o termo é utilizado em círculos evangélicos atuais. O
termo grego, latreivan (latreia)
quer dizer serviço, cujo conceito seria melhor traduzido por servir
a Deus, do que por “adorar a Deus”. Em geral, o termo vem sendo
aplicado em relação à música ou à prestação de um culto
formalizado, no qual se proclama a grandeza de Deus. Hebreus 9.14
clarifica a questão no contexto de obras mortas, sendo comparadas a
serviço de adoração real a Deus. O que é enfatizado aqui é o
servir a Deus, não em cantos e hinos, mas na prática do reinar de
Deus com base na salvação alcançada em Cristo.
Em Apocalipse 4.7-11, a perspectiva do culto a Deus se equipara com
Isaías 6, onde o enfoque é expressamente a grandeza e
incomparabilidade de YHWH (hwhy).
Nesta adoração, Isaías se prontifica a serviço em anúncio da
mensagem, o que parece ser o propósito do culto em si. Isaías vê
a grandeza de YHWH e a sua conseqüente necessidade de se
encurvar perante o Altíssimo em serviço. Todo o proceder do culto
é direcionado a traçar a distinção ou a distância entre o
Criador e a sua criatura frágil e dependente. Não há nenhuma
expressão aqui de Isaías, nem dos seres celestiais em Apocalipse se
sentirem numa êxtase emocional, mesmo que o evento para Isaías seja
de uma visão. São levados a contemplar a sua necessidade, fraqueza
e inadequação perante a identidade de Deus, assim dando a Deus real
louvor.
O louvor aqui tratado é dever humano, mas é ao mesmo tempo uma
expressão da necessidade humana, não de qualquer necessidade
divina. Deus tem prazer num culto digno, mas tal prazer não espelha
tanto a necessidade de Deus como espelha a necessidade do ser humano
em reconhecer a Deus como Senhor absoluto. Há passagens que
indicariam a necessidade de uma prestação de adoração e louvor a
Deus em reconhecimento de Sua identidade e grandeza21.
Mesmo quando Jesus indica que as pedras clamariam se o povo tivesse
calado, ainda não espelha uma necessidade da parte de Deus, mas a
necessidade do evento e da proclamação digna. A razão da
exclamação era o reconhecimento e a proclamação da identificação
de Jesus como sendo o ungido de Deus.
Adoração, portanto, nos termos de servir a Deus é parte da missão
da igreja. Adoração em sentido de prestar um culto a Deus não
chega a ser parte integral da missão da igreja. Este tipo de
adoração realmente tem mais vínculo com a necessidade humana de
reverenciar a Deus e lembrar-se de Sua grandeza, do que por qualquer
necessidade divina de receber o culto prestado. YHWH, Deus de
Israel, está muito além de carecer do culto humano. Uma rápida
comparação entre as narrativas de Gênesis 1-11 com as narrativa
mitológicas babilônicas revelam de forma bem clara este conceito.
Nas narrativas babilônicas, os deuses chegam aos sacrifícios como
moscas ou aves famintos, precisando da comida oferecida em
holocausto. A Bíblia apresenta a Deus sem necessidade alimentícia,
exigindo em troca que o ser humano reconheça a sua dependência e
obedeça às Suas instruções. Logo, o culto prestado em louvor a
Deus é necessário em decorrência da necessidade humana de
reconhecer e lembrar da grandeza de Deus em contraste com a sua
fragilidade de criatura. A instrução ao culto é motivado pela
necessidade humana, não por qualquer necessidade divina. A própria
criação já presta culto a Deus, como também os seres celestiais.
O culto humano não passa muito além de uma ajuda para o indivíduo
a lembrar-se de sua própria necessidade perante YHWH, Criador
do universo.
Como a igreja é integrada por seres humanos falhos, há uma
constante necessidade de avaliar as formas e práticas existentes em
relação não somente à missão, mas também de acordo com a sua
natureza ideal. A igreja é de certa forma um organismo vivo e
precisa adaptar-se a novos contextos para permanecer fiel à sua
natureza e ao seu propósito. As investigações e preocupações da
Reforma partiram do contexto historico-cultural que os reformadores
vivenciaram. Havia abusos para serem corrigidos na sua época, como
também no presente. A correção de alguns erros já possibilita a
correção de outros menos aparentes de início.
Êxodo 19 e 1a
Pedro 2:
Em Êxodo 19, encontra-se as orientações gerais de Deus antes de
estabelecer a aliança com o povo no Monte Sinai. Algo da missão
especial do povo como participante da aliança está estabelecido
aqui. A convocação é de ser uma nação intermediária entre YHWH
(hwhy)
e os povos ao redor. É esta a mesma missão dada por Jesus ao povo
da nova aliança22.
Há, portanto, uma continuidade entre a missão no Antigo Testamento
e no Novo Testamento.
No versículo 4, Deus começa a relatar como havia resgatado o povo
da sua escravidão no Egito, mas segue com uma descrição do
propósito dessa salvação. O povo foi resgatado não apenas de sua
escravidão e das dificuldades que sofria, mas foi salvo para uma
nova vida. O povo foi salvo para ser uma possessão especial de YHWH
dentre as nações ao seu redor. Foi salvo para servir a YHWH
como um reino de sacerdotes, ou seja, mediadores entre YHWH e
as demais nações. O povo foi salvo para ser santo—separado,
distinto de todos os demais—para cumprir com o propósito de
espelhar a grandeza de Deus perante todas as nações.
Vale ressaltar que o povo havia sido liberto do Egito, mas ainda era
um bando de escravos fugidos, não uma nação. Haviam aceitado a
liderança de Moisés, mas não havia ainda estrutura, organização,
nem liderança adequada para reger o bando de fugitivos para
transformá-los numa nação. Esse aspecto estava ainda sendo
trabalhado, por assim dizer, YHWH ainda estava formando deles
uma nação, etapa principal disso foi a questão da definição de
uma lei ou aliança de lei que ainda deveria ser divulgada.
Em 1a Pedro
2.9-10, o assunto da formação do povo é retomado, agora em termos
de que Deus está formando um novo povo para si dentre todas as
nações do mundo. Como aquele bando de escravos no Egito não era
ainda um povo23,
também os cristãos no primeiro século ainda não o eram, mas
haviam sido chamados a ser. Em conjunto com a nova identificação
de povo de Deus, aos cristãos estava sendo dada a mesma comissão,
ou seja, missão e propósito que fora dada no Monte Sinai: mediar a
presença de Deus perante todos os povos da terra.
Mateus 28:
Mateus 28.19 utiliza o verbo discipular (maqht
euvw) no imperativo plural (maqht
euvs at e), o que equivale a um imperativo para o grupo
inteiro de discípulos reunidos como um todo. O imperativo aqui não
é de evangelizar, no sentido costumeiro, mas discipular a todas as
nações. Como parte dessa tarefa, vem incluída a questão de
batizar (ritual de ingresso a uma nova confissão e vida
religiosa—conversão) e de ensinar (incluindo aqui a aplicação
quotidiana de todo o ensino de Jesus à vida do indivíduo).
Falamos muito, em círculos batistas, de duas ordenanças—o batismo
e a ceia do Senhor. No entanto, há pelo menos mais uma ordenança
que Jesus deixou para a igreja: “Fazei discípulos de todas as
nações”. Esta provavelmente deveria até ser vista como a
principal ordenança que Jesus deixou.
Parece que conhecemos este mandamento, mas muitas vezes não pensamos
em suas implicações para o nosso dia-a-dia. Por um lado, dizemos
que esta é a tarefa de missões, e pensamos assim cumprir esta
tarefa por contribuir com as ofertas especiais missionárias. Por
outro lado, dizemos que esta é a tarefa dos pastores, outra vez
ignorando a responsabilidade pessoal para com esta ordenança.
É bom lembrarmos, porém, que o mandamento de Jesus não é apenas
uma tarefa missionária para alcançar os povos distantes da terra na
qual vivemos. Também não é uma tarefa designada como função do
clero. É a tarefa que Jesus deixou aos seus discípulos—não
apenas aos onze, mas a todos. Havia muitos além dos onze discípulos
reunidos naquele monte, ouvindo as palavras de Jesus. Todos foram
incumbidos com uma tarefa imensa—fazer discípulos de todas as
nações.
Por outro lado, sabemos também que o próprio Sopro do Santo24
vive agora em nossas vidas, capacitando-nos para esta tarefa imensa.
Pensemos um pouco mais próximo de casa por um momento. Como vamos
alcançar Porto Alegre para Cristo? Como vamos alcançar o Rio
Grande do Sul para Cristo? Nós não podemos, mas Deus pode. O
Sopro do Santo está pronto para atuar plenamente em nossas vidas
para que possamos realizar esta tarefa imensa.
Se ganhar o Rio Grande do Sul depender dos missionários, nem adianta
começar. Se ganhar o Rio Grande do Sul depender dos pastores, nunca
os teremos em número suficiente. O que precisamos é lembrar-nos de
que a comissão de Deus é para todos. Precisamos aceitar a
perspectiva divina da tarefa e dispormos as nossas vidas como corpo
real de Cristo.
Como vamos ganhar o Rio Grande do Sul para Cristo? Nós o faremos
convertendo os 5.000 crentes batistas da nossa convenção no
Rio Grande do Sul em 5.000 igrejas batistas no Rio Grande do
Sul. Nós o faremos ao dependermos mais completamente de Deus e ao
assumirmos o nosso compromisso e a nossa responsabilidade de sermos
discípulos reais. 5.000 batistas no Rio Grande do Sul que se
atreverem a lançar as suas vidas aos pés do mestre poderão ver
como fruto 5.000 igrejas vitoriosas, estabelecendo o Reinar de Cristo
entre o povo gaúcho.
Não o faremos somente agregando mais alguns crentes às igrejas
batistas existentes no estado. Tampouco o veremos com o mesmo
esforço das demais denominações evangélicas. Não será
alcançado através do esforço evangelístico dos pastores e
missionários atuando no campo gaúcho. Também não se dará
através de programações dentro dos muros de nossos templos. Já
estivemos trabalhando muitos anos sem um crescimento real de membros
nestas mesmas igrejas.
Acrescentar membros a nossas igrejas é um objetivo muito positivo,
mas não chega perto do alvo.
Teremos que modificar algumas estruturas e tradições para nos
adecuarmos ao desafio à nossa frente. Dez milhões de gaúchos sem
Cristo andam à nossa volta e a vasta maioria nunca entraria pelo
portão de um dos nossos templos.
“Discipulai as nações” é muito mais do que continuarmos no
mesmo trajeto que estamos seguindo. Discipular as nações envolve
uma transformação de vida para que nos voltemos àqueles que andam
necessitados de um relacionamento de discípulo com Cristo. Teremos
que entregar toda estrutura para que sua conformidade com a missão a
cumprir seja analisada—a ordem de discipular as nações. Teremos
que realmente derramar as nossas vidas nas mãos do Senhor, para
irmos de 5.000 a 5.000.
Estrutura e Governo da
Igreja:
“A Igreja de Cristo não faz leis nem mandamentos à parte da
Palavra de Deus; portanto, todas as tradições humanas não nos
podem sujeitar, a não ser que estejam embasadas ou prescritas na
Palavra de Deus”25.
Assim como os reformadores reivindicavam, a igreja deve refletir o
mais estritamente possível a perspectiva bíblica de sua natureza e
propósito. Toda sua atividade, estrutura e organização deve
partir de uma base bíblica sólida.
Os batistas afirmam tomar a Bíblia como sua regra de fé e prática,
o que indica que apenas a Bíblia pode e deve ser norma para a
elaboração de formas, estruturas, projetos e ministérios. Em
certos assuntos é necessário tomar algum posicionamento sobre o
qual a Bíblia não se posiciona. Tal posicionamento deve ser tomado
com cautela, lembrando o princípio de moldar tudo conforme a
mensagem da Bíblia. Nem sempre é possível seguir o resumo de
Alexander Campbell “no que a Bíblia fala, falamos; no que a Bíblia
cala, nos calamos”26,
mas esta deve ser a intenção maior, sempre que possível.
A igreja existe para dar continuidade ao ministério de Jesus27.
A estrutura da igreja, portanto, tem função e razão de ser apenas
no espelhar essa realidade. A estrutura depende da função, o qual
já se tem designado como uma função tripla, seguindo Moody28.
Érickson define as funções da igreja em termos de quatro partes,
mantendo como central o aspecto de testemunho (mesmo que empregue o
termo “evangelizar”).
Vale ressaltar que a Bíblia não mantém a distinção atual entre o
evangelizar e o discipular. O termo “evangelizar” no sentido
neotestamentário é “pregar as boas novas de Cristo”, o que
retrata a mensagem completa de Jesus desde o que se chama hoje de
“plano de salvação” até os ensinamentos mais difíceis de
compreender. A prática atual é de reservar a mensagem mais
polêmica ou difícil para os adeptos, procurando suavizar a
apresentação pública do evangelho. No ministério de Jesus, não
se encontra nada dessa tal suavidade da mensagem. O retrato dos
evangelhos em geral é muito mais coerente com a dificuldade de
aceitar a mensagem de Jesus. “Duro é este discurso; Quem o pode
ouvir?”29.
Se for necessário fazer uma distinção entre a mensagem de ingresso
ao reino e a mensagem de continuidade, esta giraria mais em torno das
passagens empregando o termo batizar. É nas passagens referentes ao
batismo que se encontra o conceito do ingresso de conversão a uma
nova realidade religiosa. Como em Mateus 28.19-20, o batismo é o
carimbo da conversão do indivíduo, no seu lavar-se de sua antiga
forma de viver, ingressando na nova dependência de Deus30.
O batismo já era ritual de ingresso a uma nova confissão e vida
religiosa para os judeus, sendo aplicado para aqueles gentíos que
queriam ingressar como prosélitos ao judaismo58.
A edificação dos crentes é a segunda etapa, por assim dizer, do
processo de evangelizar ou discipular. Vale lembrar que Jesus
investiu os três anos do seu ministério em doze discípulos. Ele
pregou também às multidões, mas não confiava na resposta das
mesmas. Escolheu doze para discipular. No final de três anos,
estes mesmos discípulos não estavam completamente maduros, mas Deus
continuou a lapidá-los, como fez com Pedro3132.
Ainda após o final do ministério terreno de Jesus os discípulos
estavam em processo de serem preparados para o ministério.
A Bíblia não fornece norma para o governo e sistema de liderança
da igreja. O que ela apresenta são várias formas organizacionais
em uso no decorrer do desenvolvimento da igreja durante o primeiro
século. A igreja passou por liderança direta dos apóstolos. Com
a necessidade, acrescentou servos à liderança administrativa
(diáconos) e encontrou necessidades em certos contextos da
elaboração de concílios de anciãos e bispos na supervisão do
andamento da igreja local. Nenhuma destas formas foi colocada como
sendo a forma definitiva, mas cada qual respondeu à necessidade que
um certo grupo de crentes enfrentava.
Existem na atualidade, várias formas de governo eclesiástico, desde
os grupos que negam uma estrutura visível, incluindo o sistema
congregacional, episcopal e presbiteriano. As formas de organizar e
estruturar a igreja não são tão importantes como a questão de
suas utilidades para se cumprir a missão. Quando a estrutura cria
condições para fomentar a ativação da missão da igreja, ela é
benéfica. Quando uma estrutura estorva o cumprimento da missão,
ela deve ser modificada. Estrutura aqui é muito mais do que formas
de governo, pois aplica-se de forma igual aos programas da igreja,
bem como todas as suas atividades.
Liderança:
Muito tem-se dialogado referente às qualifacações para a liderança
eclesiástica. Vale ressaltar que o exemplo supremo de liderança em
Jesus Cristo ressalta em particular o caráter do individuo, expresso
em servir aos demais em detrimento pessoal. Visto que o contexto
vivido no primeiro século da igreja era distinto do atual, certas
informações ajudam a situar e compreender o ensino bíblico.
Olhando para o contexto perante o qual o Novo Testamento trata
assuntos de liderança, enxerga-se os seguintes detalhes:
-
Paulo tinha a tática de começar seu trabalho com judeus, aparentemente para ter líderes já versados nas Escrituras e cumprindo com um estilo de vida já próximo ao ensino de Jesus, os quais poderiam auxiliar rapidamente na pregação e ensino da Palavra de Deus (já tinham um conceito arraigado de monoteísmo, moralidade, etc.);
-
Paulo reúne um corpo de líderes para atuar em conjunto consigo e para dar seguimento ao trabalho que ele começa. Daí ele coloca em prática um sistema de ministério compartilhado com a inclusão de vários pregadores e professores. Seu ministério é levado adiante em grupo, não a sós60;
-
Os termos bíblicos “profeta” e conseqüentemente “profecia” chegam mais perto do uso atual dos termos pregador e sermão do que os conceitos atuais de profecia como sendo futurística;
-
Paulo quebra com normas de liderança judaica, mas demonstra certo respeito às mesmas;
-
O exemplo de Paulo abnegar seus direitos de cidadão romano em Filipos, mesmo quando esses direitos o teriam protegido dos açoites, deve ser levado em consideração na qualificação do caráter do indivíduo33;
-
Para Paulo, idade não tem a importância que era dada entre os judeus, pois deixa Timóteo servir no ensino antes de chegar à idade normativa de trinta anos34;
-
No contexto do primeiro século não havia opção para uma mulher estudar, nem ser alfabetizada. Quando Paulo abre espaço para que a mulher aprenda (mesmo que em casa) ele se distancia em muito das normas aceitáveis na sociedade, colocando-a no mesmo nível do homem em termos de responsabilidade35;
-
Jesus e Paulo elevaram em muito o status conferido à mulher em relação ao contexto social;
-
Conotações de moral e ética em referência a líderes descritas nas epístolas devem ser lidas no contexto de outras passagens como Mateus 18 e João 21;
-
Em geral, as igrejas no Novo Testamento têm mais do que uma só pessoa exercendo funções de liderança formal;
-
Paulo escreve cartas a igrejas onde já não atua, tentando resolver problemas na igreja sem medir a força de suas colocações68, mesmo havendo outros líderes no local aos quais ele pode chamar de “verdadeiros companheiros”69;
-
Na Bíblia o termo “pastor” geralmente designa a função educadora na igreja, o termo “bispo” refere-se mais a funções supervisionais, o termo “diácono” refere-se a funções administrativas e o termo “profeta” refere-se mais ao ministério da pregação da Palavra de Deus no sentido da aplicabilidade da vontade divina ao contexto vivido;
-
Na conversa com Marta e Maria, Jesus aceita e aprova que Maria se coloque na posição de discípulo, deixando de lado as suas obrigações sociais como mulher. Sentar aos pés de um mestre era expressão de discípulo que se sentava para aprender—privilégio reservado apenas aos homens.
Muito se pode extrair para tratar questões de capacitação e
qualificação de líderes da igreja, mas um elemento essencial a ser
lembrado é o da existência de múltiplos ministros exercendo
funções ministeriais na igreja local, não um individuo atuando
sozinho. É salutar lembrar que os diáconos foram escolhidos para
cumprir com tarefas administrativas expressamente para que os
apóstolos se dedicassem ao estudo da Palavra de Deus e ao seu
ensino. A prática de muitas igrejas, no entanto, é de forçar o
seu pastor a cumprir primeiramente as tarefas administrativas e
públicas, podendo estudar e preparar-se para o ensino somente no
tempo que lhe sobrar. Esse modelo comumente aplicado na prática não
é bíblico.
O testemunho bíblico também dá espaço para o exercício do
ministério feminino. Mesmo que algumas passagens tenham aparência
inicial de eliminar a opção de ministério de mulheres, muitas
passagens não somente abrem oportunidade, mas refletem de maneira
positiva a atuação de mulheres em posições ou cargos de liderança
nas igrejas do Novo Testamento. De fato, a norma bíblica espera ver
homens na liderança da igreja, mas não nega a ocasião do
ministério da mulher, mesmo como profeta, pregando a Palavra de
Deus. Lembra-se que se for difícil para a liderança de uma mulher
ser aceita na igreja atual, tal era muito mais difícil numa época
em que a maioria dos homens pensavam na mulher como mercadoria para
ser usada, trocada, vendida e descartada. Foi num contexto desses
que Paulo escreveu “não há macho nem fêmea; pois todos somos um
em Cristo Jesus” (oujk e[ni a[rs en
kai; qh`l u: pavnt e" ga;r uJmei`" ei|" ejs t e ejn C
ris t w`/ jIhs ou`)41.
1Marcos
3-6. Emprega-se o termo proclamar, cuja utilidade é coerente com o
uso do verbo pregar no português. O contexto delimita o sentido
para testemunhar, porém ao mesmo tempo implica um senso mais amplo
do anúncio das boas novas na região de D ecápolis.
2MO
O D Y, 428.
3Moltmann
em URETA, 189.
4MO
O D Y, 429.
5LEO
NARD , 11 e 14-15. 32 STAGG, 184.
6LEO
NARD , 11 e 14-15.
7Lucas
24.25
8ERICKSO
N, 439.
9GEO
RGE, 96-98.
10Veja
Atos 6.2-6 e 13.1-5 onde certos indivíduos são separados para um
serviço específico, mas que não vem a ser um ministério
delimitado a um clero. Em Atos a imposião de mãos está
relacionado à ordenação de diáconos (servos da igreja em sentido
administrativo), missionários (Paulo e Barnabé), e o receber o
Espírito do Santo. Em 1a Timóteo 5.22 o emprego está
incerto, mas o contexto imediato da passagem trata dos anciãos da
igreja. Timóteo recebeu a imposição de mãos, mas este era
missionário.
11GEO
RGE, 98.
12D
e vez em quando o termo edifício é também usado nestes termos.
13Mateus
21.33-46.
14Isaías
42.6-7, 49.6-12, 56.3-8, 59.19, e 61.6.
15Não
vem ao caso considerações messiânicas que têm sido sobrepostas a
Gênesis 3.15, mas o teor da vontade divina em resgatar o ser humano
do seu erro, correndo atrás e fazendo túnicas de peles para sua
proteção.
16MOODY,
39.
17MILNE,
217.
18Mateus
21.41-43 e João .
19João
18.33-38.
20Mateus
22.15-22 e João 6.15.
21Lucas
19.38-40.
22Mateus
28, 1a Pedro 2.
23Aparentemente
saiu junto com a descendência de Israel gente que não pertencia
propriamente ao “povo de Israel”, entre eles escravos que
pegaram carona com a saída dos hebreus.
24Uso
a frase “Sopro do Santo” como tradução da frase hebraica e
grega que designava a respiração divina, símbolo da presença
semi-tangível de D eus. Entendo que a ênfase do termo comumente
traduzido como “Espírito Santo” enfatiza o reconhecimento da
mera presença de D eus, mais do que designava a referenciada
“terceira pessoa (persona)” de D eus. Já que o termo grego
(pneuma) como também o hebraico (jwr) tem o sentido básico de “ar
em movimento”, prefiro traduzir e empregar como norma o termo
sopro, podendo identificar num dado contexto o vento e em outro a
infusão da presença divina no indivíduo. Logo, empregarei “Sopro
do Santo”, procurando enfatizar que o texto bíblico faz
referência à atividade e presença quase tangível do Santo de
Israel.
25D
ez Teses de Berna citados em GEO RGE, 131.
26GEO
RGE, 131.
27ERICKSO
N, 445.
28MO
O D Y, 428. Veja a página 9 desta apostila.
29João
6.60. Cita-se aqui as palavras dos discípulos um pouco fora do
contexto. Esta passagem reflete a dificuldade de compreender
questões da morte e sacrifício de Cristo, especialmente em termos
de “comer a minha carne” e “beber do meu sangue”. Mesmo
assim, pode-se ver em outras passagens aspectos do escândalo que a
mensagem de Jesus provocou entre os seus ouvintes, refletido nas
tentativas de apedrejar a Jesus em João 8.
30Na
seção referente às ordenanças na página 23, a questão do
batismo será levantado de novo em mais detalhe. Aqui pretende-se
apenas abrir o assunto do batismo como ritual de profissão da
conversão do indivíduo. 58KITTEL et al.
31Atos
10.1-11.18.
32a
Timóteo 1.3-7; 2a Timóteo 4.9-12; Tito 1.5; 2.1-15;
3.12-13.
33Atos
16.19-40.
34Um
rabino deveria ter trinta anos para começar a exercer a função.
Q uando Paulo indica que Timóteo não deveria deixar que sua
juventude fosse desprezada, é aparentemente esta questão que está
sendo respondida.
35Junto
com o estudo, o judeu tinha noção de responsabilidade. O homem
tinha que estudar a Torá, pois era responsabilizado por seu
conhecimento. Se a mulher estudasse, ela teria responsabilidades
coerentes com o seu aprendizado.
36Romanos
16.1-3.
37Há
quem relate instantes nos quais seria de norma na sociedade alistar
primeiramente a esposa, porém isto quando se prestigia e reconhece
o casal já como casal. Perante a norma mais comum a esposa nem tem
menção de existir. Como exemplo, veja as listas genealógicas na
Bíblia. Só a menção do nome de uma mulher na lista é de chamar
a atenção. Sabemos que Eli, Samuel e Pedro eram casados, mas
somente em decorrência da menção necessária de filhos ou sogra.
Quando Lucas relata o nome de uma mulher em Atos, é por questão de
sua importância para a obra missionária ou a narrativa em questão.
Mesmo que Paulo mencionasse por nome uma mulher num contexto que
faria a menção geralmente desnecessaria, já seria indício de
prestigiar a participação ativa da mulher referenciada. Só pode
haver esta menção em decorrência da contribuição destas
mulheres ao ministério.
38a
Coríntios 14.1.
39Êxodo
15.20; Juízes 4.4; 2a Reis 22.14 e em Isaías 8.3. Na
passagem de Isaías o termo é utilizado em referência à esposa do
profeta pela sua participação no proferir a mensagem de YHWH,
conforme WATTS, 8.3, anotações.
40a
Coríntios 1.13; 3.1-4; 5.1-7; 2a Coríntios
1.23-2.4; 7.8-12; Gálatas 1.6-9; 3.1-5; 4.8-20; Colossenses
2.20-23, etc.. 69 Filipenses 4.3. 41Gálatas
3.28b.
Ig Ass tabernáculo de Davi - Pastor Pedro Alves
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